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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013 Sem categoria | 11:00

O que vamos comer em 2013?

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Foto Andrea Maia/Studio Agnus

Há alguns anos costumo publicar em dezembro as previsões gastronômicas _ou tendências_ para o ano seguinte (veja aqui as previsões para 2012 e 2011). Em 2012, ano em que acompanhei a gastronomia muito de dentro da cozinha da minha casa, acabei perdendo a bola e levei puxões de orelha dos leitores.

Prometi então publicar agora em janeiro o que dizem as tais pesquisas sobre o que vamos comer em 2013. Fui dar uma olhada na pesquisa da Baum Whiteman, em geral, a mais completa. Vi também o Huffington Post, que neste ano publicou um resumo de outras pesquisas feito a partir do que seus próprios editores acreditam que “vai pegar”. Olhei as previsões do The New York Times, da Epicurious, da Bon Appetit

Algumas coisas, como a “vez” dos pães artesanais, das carnes curadas e dos embutidos, dos defumados e dos vegetais, são unanimidade. E nem diria que são tendências 2013, porque em 2012 já estavam com tudo.

Outras são bem interessantes, a Baum Whiteman fala muito dos drinques e dos mixologistas, usando ingredientes atípicos, uma tequila com infusão de chorizo (?), mas sugere também um negroni que fica envelhecendo em barril por uma semana (será?). A Bon Appetit aposta na gochujang, uma pimenta coreana, e diz que os bartenders só estão tomando agora Fernet branca (gostei!).  O New York Times aposta em alimentos fermentados, que parece ser mesmo a nova modinha em NY. O Huffington Post ainda joga suas fichas na pipoca.

Achei que neste ano as pesquisas estão mais americanas do que nunca. Fala-se muito de snackification, uma em cada cinco refeições nos EUA já são um “snack”, que está sendo chamado de a “quarta refeição”.  Mas esses snacks agora são bem mais “gourmet”, inclusive já tem por lá o movimento de “faça seu snack caseiro”.

Pela pesquisa da Baum Whiteman, dá pra perceber um retorno com força da fast food nos EUA. Mas agora é uma fast food com preocupações gastronômicas: hambúrgueres requintados, máquinas automáticas (aquelas de refrigerantes) para cupcakes, novas redes de comida rápida, mas com propostas mais requintadas, como a Chipotle.

Achei tudo tão distante daqui.

Tentei encontrar alguma pesquisa de tendência francesa, espanhola ou italiana. E não consegui. Se alguém tiver, me avise, por favor. Será que são os americanos que têm mania de pesquisa de tendência ou simplesmente os grandes destinos gastronômicos estão mais preocupados com a comida do que com as pesquisas?

A Epicurious colocou como uma de suas tendências o Brasil. A tão pouco tempo da próxima Copa do Mundo, é preciso descobrir a comida brasileira além das churrascarias e do pão de queijo, disseram.

Não fiz uma pesquisa com chefs brasileiros. Mas sem dúvida eles diriam que a comida brasileira é sim tendência. Há uns três anos vem sendo citada nos congressos como uma das “próximas grandes coisas”. Neste janeiro, Minas Gerais é homenageada no Madrid Fusión, um dos maiores congressos de gastronomia do mundo.

Os chefs brasileiros falaram de mandioca, mostraram paçoca de carne, jiló com pele de porco, cozinharam para os participantes e serviram guaraná e queijo da serra da Canastra nos estandes da feira. O que chega a ser engraçado. Em São Paulo, não se pode comer queijo da Canastra, porque a legislação não permite. Mas em Madri, toda a “comunidade gourmet” pode prová-lo, já que queijos feitos com leite cru, sem pasteurização, são comuns na Europa.

Enfim, com Copa e Olimpíadas vindo aí, não há como negar, esse é o momento para a comida brasileira deixar de ser apenas feijoada e churrascaria no imaginário estrangeiro.

Mas, e aqui, o que é tendência e o que virá por aí? A valorização dos produtos e da culinária regional brasileira está na boca dos chefs e na realidade de muitos dos considerados os melhores restaurantes do país. Do que aparece nas pesquisas estrangeiras, pães artesanais, embutidos, valorização dos vegetais também se vê por aqui há um tempo.

Mas 2012 foi mesmo o ano da comida de rua, ou melhor, dos eventos de comida de rua, que abriram oportunidades, para chefs e para comedores sem acesso a muitos restaurantes, e estiveram sempre lotados. Há ainda muito o que fazer e melhorar, mas já é um começo.  E foi o ano do Toro Loco, o tal vinho espanhol que se saiu bem em uma degustação às cegas e custa R$ 25 (mas foi melhor avaliado que vinhos que chegavam a custar onze vezes mais na Inglaterra). Talvez isso queira dizer alguma coisa.

Chegar a uma praia do litoral norte paulista e ver porções de manjubinha frita para duas pessoas serem vendidas a R$ 50 e pratos individuais de peixe a R$ 90, simplesmente porque  estão em um restaurante na beira-mar, com vista pra praia, chega a ser assustador. Faz quase parecer que pratos individuais a R$ 60 nos restaurantes de São Paulo, uma das cidades mais caras do mundo,  sejam uma “pechincha”.

Retomada das raízes, valorização das comidas regionais e dos produtos típicos brasileiros, produções artesanais, técnica e simplicidade são as palavras-chave para a comida brasileira neste e nos próximos anos. Bem que “preços sustentáveis” também poderia estar entre elas.

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4 comentários | Comentar

  1. 54 Glauco 12/02/2013 18:36

    Olá Alessandra, acompanho seu blog a muito tempo, sei que agora as postagens são mais esporádicas, mas ainda assim entro com frequencia pra consultar notícias passadas. Recentemente almocei em um lugar que lembrei na hora do Comidinhas, chama Venda do Chico, cerca de 8km depois de Três Corações na Rodovia Fernão Dias. O lugar é muito bonito, a comida muito boa, e tudo vem servido como se você estivesse numa casa antiga do anterior. O preço é fixo, 23 reais atualmente, e vale cada centavo, pois você pode experimentar todas as 5 misturas: frango com quiabo, frango ao molho pardo, costelinha de porco com mandioca, file de tilápia ou linguiça caseira, tudo acompanhado por salada, polenta e salada. Além de um pão de queijo bastante bom de entrada. Toda vez que viajo de SP a BH de carro tenho que almoçar neste lugar. Recomendo.

  2. 53 Isaque Lima 27/01/2013 21:34

    Faltou falar da gastronomia peruana, que venceu o prêmio World Travel Awards no fim do ano passado.

  3. 52 Juliana Souza 24/01/2013 18:48

    Alêêêêê!!!! Bem vinda de volta, q saudades das suas matérias super bacanas como esta … Todo dia entrava no seu blog e nada da Alessandra, até meu marido, aquele q fica jogando vídeo-game e ouvindo eu ler suas matérias tava sentindo sua falta, tanto q hoje qdo vi seu post e comentei ele disse: apareceu a Margarida !!!! rsrsrs …
    É, realmente estas tendências americanas são meio duvidosas né?
    Gde abraço

  4. 51 ianna 24/01/2013 17:32

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